Tom Bertram
Jane Austen em Roma
Monday, February 8th, 2010 | Filmes, Jane Austen | 16 Comments
Cansada, resolvi dar uma paradinha nas configurações da Biblioteca Jane Austen e assistir pelo menos um episódio de Rome que adoro. E vejam só quem encontrei!
Agora me expliquem como o Capitão Wentworth acabou namorando a sonsa da Lady Bertram?
Jane Fairfax não me surpreendeu, afinal sempre teve uma queda por herdeiros e bad boys e Tom Bertram está na medida.
Mr. Collins e Mr. Elliot nunca vi dupla mais afinada!

Lindsay Duncan (Servilia) e Ciaran Hinds (Cesar)
James Purefoy (Marco Antonio) e Polly Walker (Atia)
David Bamber (Cícero) e Tobias Menzies (Brutus)
UPDATE: A Nique nos lembra de mais dois atores: Guy Henry, Cassius (Mr. Collins em Lost in Austen) e Simon Woods, Otávio na fase adulta (Mr. Bingley, 2005). Este último está irreconhecível em Roma… virou um sacripanta, isso sim!
Tom Bertram de Mansfield Park
Tuesday, December 29th, 2009 | Filmes, Livros, Traduções | 11 Comments
Estava pensando o que escreveria no Chá com Jane Austen sobre o último livro que lemos no grupo: Mansfield Park. Decidi escrever sobre um personagem, que parece secundário, mas é um dos motivos pelos quais a vida em Mansfield teve tantos reveses e não seguiu um curso normal de uma família inglesa daquela época: Tom Bertram. Há uma série de possibilidades se Tom tivesse sido um pouco menos extravagante, mas neste post não me alongarei muito sobre o assunto e, assim como Tom, encurtarei a conversa só mencionando quando me enamorei dele.
A primeira vez que li Mansfield apaixonei-me pelos Crawfords; e da família Bertram a única criatura que gostei foi Tom. Ele me conquistou definitivamente quando conseguiu se safar de um aborrecidíssimo jogo de cartas com tia Norris, tirando Fanny para dançar.
“I should be most happy,” replied he aloud, and jumping up with alacrity, “it would give me the greatest pleasure; but that I am this moment going to dance.” Come, Fanny, taking her hand, “do not be dawdling any longer, or the dance will be over.”
[...]
“A pretty modest request upon my word,” he indignantly exclaimed as they walked away. “To want to nail me to a card-table for the next two hours with herself and Dr. Grant, who are always quarrelling, and that poking old woman, who knows no more of whist than of algebra. I wish my good aunt would be a little less busy! And to ask me in such a way too! without ceremony, before them all, so as to leave me no possibility of refusing. That is what I dislike most particularly. It raises my spleen more than anything, to have the pretence of being asked, of being given a choice, and at the same time addressed in such a way as to oblige one to do the very thing, whatever it be! If I had not luckily thought of standing up with you I could not have got out of it. It is a great deal too bad. But when my aunt has got a fancy in her head, nothing can stop her.”
— Teria muito prazer, respondeu ele alto e pulando da cadeira todo animado, gostaria muitíssimo; mas é que neste momento vou dançar. Venha /fanny, disse puxando-a pela mão, não perca mais tempo senão a dança acaba.
[...]— Um pedido bastante modesto, palavra de honra! exclamou ele indignado, quando se afastavam. Pretender que eu fique preso numa mesa de jogo durante duas horas com ela e o Dr. Grant, que estão sempre brigando, e com aquela velha sorumbática, que entende tanto de cartas quanto de álgebra. Era melhor que minha boa tia não fosse tão solícita! E ainda por cima, me convidar de tal maneira! Sem a menor cerimônia, à vista de todos, para que eu não tivesse jeito de recusar. É o que mais detesto. Não há nada que me contrarie mais do que me convidarem por fingimento, e ao mesmo tempo ser abordado de tal maneira que não possa deixar de aceitar, seja lá para o que for! Se eu não tivesse tido a feliz idéia de ficar a seu aldo, não poderia podido escapar desta. É muita perversidade. Mas quando minha tia mete uma idéia na cabeça não há quem possa com ela. | cap. 12, trad. Rachel de Queiroz |


Imagens: capturas de telas, minhas e ilustração de meu exemplar de MP.
Terminei de me apaixonar por Mr. Bertram quando foi interpretado pelo ótimo ator James Purefoy em 1999. Mesmo não gostando muito da versão de 2007 também me agradou a atuação de James D’Arcy. Ainda não assisti completamente a versão de 1983 mas fiz a captura de tela de Christopher Villiers para termos os três Tom!
Não poderia me furtar de mostrar Tom na pena de C. E. Brock. Pelo visto C. E. Brock também gostou bastante dessa passagem e nos mostra o herdeiro de Mansfield Park no exato momento em que arrasta Fanny para dançar! A imagem completa fica para outra ocasião.
Jane Austen e Tom Lefroy – parte 8 (última)
Sunday, December 14th, 2008 | Biografia, Filmes | 28 Comments
Quase todas as discussões que tenho lido sobre Jane Austen e Tom Lefroy, começam, terminam ou mencionam o filme Amor e inocência (Becoming Jane).
O mote principal do filme, o romance entre de Jane e Tom certamente só poderia ser imaginado, pois as informações são mínimas e o exagero ficou por conta da fuga dos namorados e do encontro de ambos quando mais velhos – dois fatos que não há uma única evidência que tenha ocorrido.
Por mais que os produtores tenham protestado que é apenas uma obra de ficção, eles certamente contaram com a curiosidade e o desconhecimento do público sobre a vida de Jane Austen para divulgar o filme. Nada de errado em tornar ficção uma vida sobre a qual sabe-se muito pouco ou quase nada, mas considero desonesto não colocar no início ou mesmo no fim do filme essa informação. Colocar essa informação no mesmo “tamanho” e “importância” como a tela logo abaixo:

a propósito, o nome da sogra de Tom Lefroy era Jane, também…

e não como fizeram na última tela – letras minúsculas e de maneira vaga, quando a maioria das pessoas já se retirou da sala, do cinema ou de casa. Alguém leu? Eu traduzo: “Embora este filme tenha sido inspirado em eventos históricos, certas pessoas e eventos representados no filme foram inventados e/ou dramatizados. Qualquer similaridade entre as pessoas ou eventos fictícios e a pessoas ou eventos atuais são coincidências e não-intencional.”. Isto posto, vamos ao filme propriamente dito.
Os personagens e a “estória”
Lady Gresham e Mr. Wisley são fictícios apesar da importância deles na trama do filme. O dois parecem Lady Catherine de Bourgh e Mr. Darcy, ao contrário! Ela querendo casar o sobrinho com uma moça pobre e ele um bobalhão, o que não faz o menor sentido! Confesso que Wisley, no final da história, ganhou minha admiração mostrando-se alguém correto, apenas tímido ao extremo – bem mais parecido com Mr. Darcy do que Mr. Lefroy.
John Warren, ao contrário do que eu havia mencionado, existiu, mas com sentimentos diversos do personagem:
“Garanta a ela também, como uma última e irrefutável prova da indiferença de Warren por mim, o fato de ele ter desenhado um retrato daquele cavalheiro para mim e tê-lo entregue sem um suspiro sequer.” (Mais aqui)
O mãe de Jane retratada como uma “Mrs. Bennet” amarga e cavando suas próprias batatas foi outro exagero atroz. As mulheres da família faziam, é certo, trabalhos domésticos, mas os mais pesados ficavam com os criados. Os Austen faziam parte dos gentries, pessoas com condições financeiras razoáveis para manter empregados! (leia mais sobre gentry)
Esse Tom Lefroy fanfarrão e mulherengo, muito bem interpretado por James MacAvoy, está mais para Mr. Wickham, Henry Crawford ou Tom Bertram do que para Mr. Darcy! Eu diria que é quase o oposto do mencionado nas cartas de Jane e outros escritos,
“Ele é um rapaz muito educado, bonito, um jovem agradável posso assegurar isso para você.” (Mais aqui)
“[...] cartas escritas pelos tutor de Tom, Rev. Dr. Burrowes e também cartas do tio, Benjamin Langlois, que foram publicadas no livro Memoir of Chief Justice Lefroy, todas dando conta de um rapaz educado, de boa índole, aplicado nos estudos e piedoso. (Mais aqui)
A inclusão do irmão George quase nunca mencionado e que poucas pessoas sabem que existiu foi um ponto positivo para o filme, mas… Jane Austen não merecia a pieguice da cena final!
Os atores
Todos, na minha opinião, com exceção de Anne Hathaway, atuaram bem. Ela não foi convincente como Jane Austen e teve uma atuação insonsa. Ao que tudo indica ela também não se sentiu “confortável”:
Anne said: “I started to sound a bit too much like myself and not at all like Jane. After all that f***ing accent work, about 80 per cent of the dialogue in the film was unusable. I had to go to England to re-record it all.” Entrevista para Britain’s Sunday Telegraph – 21/fev/2007 no Boston.Com (em inglês).
Eu comecei [atuar] parecendo um pouco demais comigo mesmo e não com Jane Austen. Depois de todo o trabalho com este f***ing* sotaque, em torno de 80 por cento dos diálogos do filme ficaram inaproveitáveis. Eu tive que ir para a Inglaterra e regravar tudo.
Acredito que Anna Maxwell Martin, que fez o papel de Cassandra ficaria perfeita no papel de Jane, não só pela boa atuação como pelo tipo físico. Bastava escurecer um pouco os cabelos – compare com a aquarela de Jane de 1810. E se o personagem Tom Lefroy, fosse representado mais como o rapaz tímido descrito por Jane, acredito que o ator Tom Vaughan-Lawlor o faria com exatidão. Neste caso deveria clarear as madeixas! Compare também o sorriso com o original!

Anna Maxwell Martin como Cassandra Elizabeth Austen

Tom Vaughan Lawlor como Tom Fowles, noivo de Cassandra.
Conclusão
Quando leio as cartas de Jane Austen vejo uma moça inteligente encantada com um rapaz também inteligente e ambos regidos pelos costumes de sua época e suas própria ambições. No momento da decisão, se é que chegou a esse ponto, a escolha foi a razão e não os sentimentos.
Apesar do tom de galhofa de suas cartas penso que Jane ficou mais enamorada do que confessava, mas é só divagação pois não temos uma palavra ou um bilhete sequer de Tom dessa época para corroborar ou contradizer tal fato. Muitos anos depois, quando indagado sobre o assunto, por um sobrinho, o venerável Juiz do Supremo Tribunal de Justiça da Irlanda disse que teve um amor juvenil pela escritora Jane Austen. Joan Klingel Ray, que já mencionei aqui, interpreta esta declaração como uma demonstração de cavalheirismo de uma certa forma confirmando o que estava escrito nas cartas de Jane e não como confissão de um romance. Há outras possibilidades. Ter sido mesmo um amor juvenil. Ter sido um grande amor mas preferiu calar. Ter sido uma declaração por vaidade ou simplesmente estava gagá!
Algumas informações nestes post sobre Jane Austen e Tom Lefroy ficaram incompletas mas espero com o tempo adquirir mais informações para compartilhar com vocês.
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