plágios
Plágios a mancheias
Wednesday, January 13th, 2010 | Jane Austen, Traduções | 8 Comments
Nestas duas últimas semanas foram três notícias de plágios.
Começo com o blog não gosto de plágio pois trata do livro mais amado de Jane Austen, Orgulho e preconceito. Reproduzo um trecho do post “orgulho e preconceito da best seller” e recomendo firmemente que vocês leiam todo o artigo no blog da Denise Bottman para ter a dimensão exata do problema
jane austen no brasil é um caso sério.
[...]
o caso de orgulho e preconceito, infelizmente, não é exceção.
[...]
a tradução brasileira mais conhecida é a de lúcio cardoso, de 1940, pela josé olympio e atualmente pela civilização brasileira. foi ela que serviu de base para uma cópia adulterada que tem sido publicada em nome de “enrico corvisieri”, pela editora best seller, desde 1997 até hoje.
O Dicas Blogger, de Juliana Sardinha, que durante dois anos deu dicas valiosas, graciosamente, fechou esta semana. Os motivos? Leiam a introdução abaixo e o restante no próprio blog da Juliana, no post “The game is over [atualizado]” que ainda está online enquanto ela decide o que fazer.
Cansei. Infelizmente. Plágio, difamação, inveja, disputa, rivalidades, mimimis, stalkers e etc.
A gota d’água que faltava foi exibida no Twitter hoje de manhã: 18 posts copiados em um mesmo blog e indexados pelo Google na frente do Dicas Blogger.
O outro caso deu-se na Inglaterra e a autora do blog Austeonlny tentou por algum tempo dar pequenos avisos. Por fim resolveu tomar as medidas cabíveis no caso. Para quem souber inglês o post: “Imitation is NOT Flattery: it’s Actionable” [Imitação não é elogio: é uma questão acionável por lei]
I’m taking steps here and now to post a warning to one person new to the blogging world who might not realise that by copying phrases I use, my style of writing and my subject matter, she is trespassing on my copyright.
Estou tomando algumas medidas aqui e ali para publicar um aviso para uma pessoa , nova no mundo dos blogs e que pode não ter percebido que copiando frases que eu uso, meu estilo de escrever e a essência de meu assunto, que está invadindo meus direitos autorais.
Tenho observado que às vezes as pessoas acham que tudo que está na internet pode ser copiado, modificado e não fazem a menor ideia do que seja autoria. Com essas pessoas, na maioria das vezes, basta conversar e elas prontamente dão o crédito, link, retiram texto e fica tudo certo. Mas há outros tipos que, não só não querem conversa, como acham que tem o direito de copiar, modificar, tomar a autoria para si e se facilitar ainda te ameaçam.
Uma vez questionei uma criatura, que inaugurou seu blog com textos do meu Jane e que respondeu-me que “não se incomodava em me dar crédito”. Como não permiti a cópia integral dos meus textos, apagou o blog inteiro e uma semana depois publicou outro blog desta vez com os meus textos e de outras pessoas. Neste ponto creio que o Wordpress entrou em ação e também foi apagado.
Em outra ocasião quase morri de rir ao ao me deparar com um texto meu devidamente elogiado por quem jamais o faria!
Mas plágio não é para rir — é para levar a sério e tomar as medidas cabíveis pela lei.
Alguns posts sobre plágio no Jane Austen em Português:
Licenciamento de obras esgotadas
Monday, November 2nd, 2009 | Jane Austen, Livros, Traduções | 1 Comment
Denise Bottmann do blogue Não Gosto de Plágio fez uma proposta para ser apresentada ao Ministério da Cultura nos dias 9 e 10 de novembro quando será realizada a rodada dos seminários do MinC para revisão da Lei de Direitos Autorais 9610/98. Nessa data o governo abrirá o prazo para consulta pública para o projeto da referida lei.
Divulgo e apoio esta proposta aqui no Jane Austen em português e se mais alguém quiser divulgar, basta copiar o texto abaixo.
LICENCIAMENTO DE OBRAS ESGOTADAS PARA PUBLICAÇÃO
Os plágios de tradução de grandes obras da literatura e do pensamento universal constituem uma negra mancha na história do livro no Brasil. O recurso a tal prática teve um grande impulso a partir de 1995 e, sobretudo, a partir de 1998. A principal característica comum à grande maioria de tais ilícitos é o uso fraudado de traduções antigas, geralmente esgotadas e que ainda não entraram em domínio público.
Por um lado, uma grande e necessária retificação da atual lei 9.610/98 será a autorização para o licenciamento em curto prazo de obras esgotadas para reprodução sem fins comerciais, sob a forma de reprografia e digitalização para uso privado, para o ensino e para os acervos de bibliotecas públicas.
Por outro lado, cremos que, além desta flexibilização atendendo ao premente direito social de acesso a obras esgotadas e abandonadas, seria da máxima importância prever igualmente um dispositivo legal autorizando a livre reprodução dessas obras também em formato de livro, sempre respeitados os direitos inalienáveis de seus autores.
Assim, sugerimos que, decorridos 20 (vinte) anos após a última edição da obra, ela possa ser novamente disponibilizada à sociedade como livro impresso, pelos circuitos tradicionais de publicação e distribuição.
Cremos que todos terão a ganhar: os cidadãos leitores que poderão dispor de livros até então esgotados, os autores assim resgatados do esquecimento, os editores que poderão publicar tais obras e os livreiros que poderão fazê-las chegar aos leitores.
A sociedade como um todo poderá assim ter garantias de preservar ativamente sua memória cultural, permitindo a sobrevivência sempre atualizada de importantes obras de tradução do passado.
Dicas e notas sobre Emma 2009
Sunday, October 4th, 2009 | Audio, Filmes, Livros, Vídeos | 7 Comments
- Mais gente na luta contra o plágio. Obrigada, Joana Canêdo | via Denise
- Literatura inglesa em português: Os cadernos de Picwick na Pó dos Livros
- Uma cena de Emma 2009 com o castelo Chilham ao fundo no site Kent Film Office
- Blog de Monica Fairview com fotos de Chilham Castle e muito mais!
- Site oficial do Chilham Castle. Que lugar maravilhoso!
- Emma 2009 estréia hoje. Nós não poderemos assistir mas há este vídeo no Youtube e mais imagens no próprio site da BBC One. Continuo olhando para JLM e vendo Edmund Bertram. Serei somente eu?
Uma notícia maravilhosa
Friday, September 11th, 2009 | Livros, Traduções | 16 Comments
Recebi um post surpresa da Leticia com uma notícia maravilhosa (muitíssimo obrigada!). A Penguin vem para o Brasil. Que alento diante de tantas barbaridades! Vejam os exemplos em blogues que leio e respeito e me digam se não são de corar…
- no Não Gosto de Plágio você agradece a Denise e ao mesmo tempo chora de vergonha
- no Tradutor Profissional vemos que não há limites para a falta de caráter
- no Flanela Paulistana lemos sobre uma proposta indecente para tornar os leitores simplórios
- no Contraditorium toda indignação com a “kibificação geral da humanidade”
E por último A pergunta, A dúvida cruel, O nervoso geral: editará Jane Austen? E Mrs. Gaskell? E Mrs. Radcliffe? E… Perguntarei.

Ave Penguin! deveras!
Pobre Persuasão
Friday, August 7th, 2009 | Livros, Traduções | 5 Comments
Persuasão tem sido maltrado no Brasil. Mas há alguma esperança, Galeno Amorim noticiou:
De novo, os plágios
Os plágios estão levando o mundo dos livros de volta ao noticiário policial. Esta semana, o Ministério Público de São Paulo mandou abrir novos inquéritos para investigar o uso indevido de traduções por editoras paulistas. Entre as possíveis vítimas, estão nomes consagrados como Jane Austen (Persuasão) e Emily Brontë (O morro dos ventos uivantes). | 06/ago/2009
Ontem chegou um exemplar de editora Francisco Alves (2007). Comprei para ter certeza que era tradução de Luiz Lobo. O primeiro choque foi estético. Eu acho que as pessoas estão diagramando com Word. Depois descobri que o exemplar apesar das folhas novas (branca-horror) algumas estavam marcadas com lumicolor. Verde. Não fui avisada deste fato.
Hoje, com os olhos acostumados e conformada, resolvi dar uma comparadinha básica com meu exemplar da Bruguera. A primeira diferença é a introdução, da Bruguera escrita por Terezinha Crumb, e da Francisco Alves é da própria Luiza Lobo. Continuando a leitura percebi que há modificações no texto do livro também. Estou curiosa para saber se foram feitas pela tradutora ou pela preparação/revisão da editora.

Persuasão, Francisco Alves

Persuasão, Francisco Alves

Persuasão, Francisco Alves

Persuasão, Bruguera
Dicas
Tuesday, August 4th, 2009 | Livros, Traduções | 2 Comments
- Uma boa notícia no não gosto de plágio e para comemorar, plaquinha aí ao lado.
- Catharine, tradução portuguesa da Europa-América na livraria Cultura. Imagino que seja igual ao meu exemplar.
- The Fan Museum (Museu do Leque), Londres. As imagens são pequeninas mas dá para ter uma idéia da beleza das peças.
- Um leque lindíssimo no Jane Austen’s World. Os leques era usados não somente para refrescar mas também como um sistema para transmitir mensagens, na maioria das vezes amorosas. Fica para próximo post!
- Exercício de imaginação e moda atual: “Se Jane Austen fosse francesa“.
Plágio de traduções de Jane Austen
Saturday, April 4th, 2009 | Livros, Traduções | 6 Comments
Mais um plágio de uma tradução de Jane Austen. Desta vez o nosso amado Orgulho e preconceito pela notória Martin Claret.
jane austen , a encantadora dama das letras inglesas, parece encantar também em português. além do sequestro sofrido às mãos da landmark, em persuasão, ela foi alvo de outro atentado em orgulho e preconceito, às mãos do nefário claret.
a rapinagem foi feita em cima da tradução de maria francisca ferreira de lima, na edição da europa-américa. sofreu leves alterações, sobretudo nos primeiros parágrafos, e saiu atribuída a “jean melville”.
Em “liz bennet kidnapped” | Não Gosto de Plágio | 19/03/2009
Plágio é crime*. E na minha opinião um crime duplo: roubo de autoria do escritor ou do tradutor e também roubo de informação do leitor. Já falei sobre plágio no post “A palavra é… A palavra deveria ser…“. Aproveito então a oportunidade para uma mini-entrevista, há muito planejada e sempre adiada, com Denise Bottmann, tradutora, historiadora e autora do blogue Não Gosto de Plágio.

Jane Austen em Português Denise, o que é plágio? Há mais de um tipo de plágio?
Denise Bottmann Todo ser humano é dotado de direitos pessoais invioláveis, entre eles o direito à vida, ao próprio corpo e a seu nome. Todo ser humano é dotado da capacidade de criar alguma coisa. Essa obra, fruto de seu trabalho, carrega a identidade pessoal de seu criador, expressa em seu nome. Quando alguém toma uma obra de outrem e se apresenta como seu autor, está ferindo um dos direitos básicos do ser humano, o direito a seu nome. Se o assassinato é o principal crime contra o direito pessoal à vida, entendo o plágio como o principal crime contra o direito pessoal ao nome. Não é um simples roubo, é uma subtração da existência do autor, simbolizada pelo nome, na obra por ele criada. Neste sentido, o plágio é um assassinato. Não creio que exista meio-plágio: creio que a caracterização do tipo é única e absoluta. Ou há, ou não há.
O que pode ocorrer é que uma determinada obra seja apenas parcialmente plagiada, ou que haja a tentativa de disfarçar esse plágio. As formas podem variar, mas o crime é o mesmo: o atentado a um direito essencial do ser humano.
JAP Como é feita a verificação dos livros plagiados?
DB É bastante fácil constatar se há plágio, mas não sei explicar em termos técnicos. Se você ouve uma música e a identifica como A, composta por B; se depois você ouve a mesma música ou trechos muito semelhantes a ela, mas identificados como X, mas de composição atribuída a Y, você pode concluir que se trata de um plágio. A questão não é a semelhança, a questão é a atribuição da autoria.
Hoje em dia existe um ramo de estudos e pesquisas bastante desenvolvido, chamado forensic linguistics, justamente dedicado às técnicas de estabelecer os graus de plagiato. Existem também vários programas de computador para detetar o índice de repetibilidade dos mesmos termos entre dois textos diferentes.
No caso desses livros que venho cotejando, trata-se de plágios muito simples: cópias literais ou semiliterais, que não demandam expertise nenhuma. Basta olhar e ver.
JAP Há mais traduções de Jane Austen plagiadas no Brasil, além de Persuasão e Orgulho e preconceito?
DB Atualmente tenho notícia de plágios das traduções de Jane Austen apenas nos casos da Landmark (Persuasão) e da Martin Claret (Orgulho e preconceito). Tomara que sejam os únicos!
JAP O que está sendo feito e o que é possível fazer para nos livrar dos plágios?
DB A primeira e principal medida para reduzir a quantidade de plágios no Brasil, a meu ver, é uma reformulação da Lei dos Direitos Autorais 9.610/98. Deve-se contemplar a sugestão feita por um grupo de estudos da FGV: obras esgotadas há mais de 3 anos, sem reedição, devem ser liberadas da reserva patrimonial da editora que detém seus direitos de publicação. Com isso elas podem voltar a ser livremente impressas, respeitando-se devidamente o direito moral de seu autor/tradutor. Assim os leitores terão acesso normal a elas e à informação sobre seus verdadeiros autores/tradutores.
Enquanto não há essa reformulação ou uma flexibilização da lei, impedindo que as obras criem mofo no fundo dos baús das editoras, o que resta a nós é denunciar, reclamar, entrar com petições e representações contra as editoras criminosas, e não compactuar de maneira alguma, a pretexto algum, com tais fraudes.
Muito obrigada, Denise!

- * Lei de Direito Autoral, n. 9610 de 1998. Ver capítulo “Das Sanções Civis”.
- Aproveitando que estão no blogue da Denise vejam também sobre os mitos de livros baratinhos nos seguintes posts: “O mito do preço I“, “II“, “III” e “O preço do mito“. Somos enganados de todas as formas!
A palavra é… A palavra deveria ser…
Tuesday, January 6th, 2009 | Livros, Traduções | 29 Comments
PLÁGIO?
No final de novembro de 2008, Alessandra Perlatti, participante do grupo Chá com Jane Austen, do qual faço parte, contou que ela e as irmãs, ao lerem Persuasão – edição bilíngüe da Editora Landmark, tradução de Fábio Cyrino –, deram-se conta de que o texto mostrava-se idêntico ao da edição Europa-América, traduzido por Isabel Sequeira em 1996. Imediatamente enviaram um e-mail para a editora brasileira solicitando explicações (não obtiveram resposta até a presente data).
Pedi autorização a Alessandra para enviar o assunto para Denise Bottmann – tradutora e dona do blogue Não gosto de plágio – para uma avaliação profissional.
Destaco pequeno trecho do post que Denise publicou hoje em seu blogue:
fiel ao original, ou fiel à tradução?
afora o primeiro parágrafo que traz uma meia-dúzia de vocábulos distintos, o restante da edição de persuasão da landmark apresenta diferenças mínimas em relação à da europa-américa. consistem sobretudo no abrasileiramento de alguns termos e formas de tratamento. seria necessária uma intervenção realmente miraculosa para que o tradutor brasileiro conseguisse produzir de lavra própria as mesmas gralhas de impressão, os mesmos problemas de vocabulário, os mesmos erros de entendimento do texto, os mesmos saltos de palavras e frases da tradução original.
O texto integral, detalhadíssimo, está no post “landmarkismo, o estágio superior do plagiarismo”.

SAGRADA?

- Imagem: Unseen Hands · Beatrice Warde
- Este manisfesto de Beatrice L. Warde já publiquei aqui e aqui.
- Em interpretação – mais do que tradução – mea culpa:
ESTA CASA É UMA EDITORA
Ponto crucial de civilização · Refúgio de todas as artes contra os ataques do tempo · Armadura da verdade destemida contra rumores maledicentes · Incansável divulgadora de arte · Deste local as palavras podem ir longe, não para perecer como ondas de som, não para variar de acordo com a mão do escritor mas fixadas no tempo, tendo sido verificadas e comprovadas · Amigo, você está em solo sagrado, Esta Casa é uma Editora BEATRICE WARDE“

Se você quiser saber mais sobre plágios e cópias não-autorizadas, principalmente na internet, recomendo três quatro ótimos artigos/posts do blogue da Nospheratt, Blosque:
- “Cópias na Internet: Nem tudo é plágio”
- “7 mitos sobre plágio”
- “Plágio e direitos de autor nos blogs: legislação aplicável”
- “Plágio e Cópia”
ATUALIZAÇÃO EM 07 FEV 2009
- Mais um texto sobre o plágio no blogue The Spectacled Bear: Brazilian translator of Jane Austen novel accused of plagiarism.
- Lei 9.610, de 19/02/1998 (parte)
Título VII – Das Sanções às Violações dos Direitos Autorais
Capítulo II -Das Sanções Civis
Art. 104. Quem vender, expuser a venda, ocultar, adquirir, distribuir, tiver em depósito ou utilizar obra ou fonograma reproduzidos com fraude, com a finalidade de vender, obter ganho, vantagem, proveito, lucro direto ou indireto, para si ou para outrem, será solidariamente responsável com o contrafator, nos termos dos artigos precedentes, respondendo como contrafatores o importador e o distribuidor em caso de reprodução no exterior.
Art. 105. A transmissão e a retransmissão, por qualquer meio ou processo, e a comunicação ao público de obras artísticas, literárias e científicas, de interpretações e de fonogramas, realizadas mediante violação aos direitos de seus titulares, deverão ser imediatamente suspensas ou interrompidas pela autoridade judicial competente, sem prejuízo da multa diária pelo descumprimento e das demais indenizações cabíveis, independentemente das sanções penais aplicáveis; caso se comprove que o infrator é reincidente na violação aos direitos dos titulares de direitos de autor e conexos, o valor da multa poderá ser aumentado até o dobro. - Lei integral aqui: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm
