Mr. Collins
Jane Austen em Roma
Monday, February 8th, 2010 | Filmes, Jane Austen | 16 Comments
Cansada, resolvi dar uma paradinha nas configurações da Biblioteca Jane Austen e assistir pelo menos um episódio de Rome que adoro. E vejam só quem encontrei!
Agora me expliquem como o Capitão Wentworth acabou namorando a sonsa da Lady Bertram?
Jane Fairfax não me surpreendeu, afinal sempre teve uma queda por herdeiros e bad boys e Tom Bertram está na medida.
Mr. Collins e Mr. Elliot nunca vi dupla mais afinada!

Lindsay Duncan (Servilia) e Ciaran Hinds (Cesar)
James Purefoy (Marco Antonio) e Polly Walker (Atia)
David Bamber (Cícero) e Tobias Menzies (Brutus)
UPDATE: A Nique nos lembra de mais dois atores: Guy Henry, Cassius (Mr. Collins em Lost in Austen) e Simon Woods, Otávio na fase adulta (Mr. Bingley, 2005). Este último está irreconhecível em Roma… virou um sacripanta, isso sim!
Um Mr. Collins incomoda muito a gente…
Saturday, February 6th, 2010 | Filmes, Vídeos | 3 Comments
Dois Mr. Collins incomodam, incomodam muito mais!
Dois Mr. Collins incomodam muito a gente
Três Mr. Collins incomodam, incomodam, incomodam muito mais!!!
Três Mr. Collins: Melville Cooper, David Bamber e Tom Hollander
Caso o vídeo não funcione veja aqui.
Mr. Collins e a arte do elogio
Monday, November 30th, 2009 | Filmes, Jane Austen, Livros, Poesia, Traduções | 10 Comments
Não lembro se comentei aqui no blogue mas já escrevi no twitter, “Quando o elogio é demais eu não desconfio. Tenho certeza.”
Esta semana, lendo o ótimo post “Você é ‘o cara’”? no Flanela Paulistana, lembrei imediatamente do meu querido Mr. Collins e fiquei tentando imaginar em qual categoria ele se enquadraria. Fiquei entre as modalidades, caipira e social.
Reproduzo abaixo uma das partes de Orgulho e preconceito que considero das mais inspiradas do livro. Uma conversa entre Mr. Bennet e Mr. Collins, no capítulo 14. Mr. Bennet, que sempre se diverte com a estupidez humana, resolve dar trela para Mr. Collins após o jantar. Ele tem certeza que o primo não lhe falhará como divertimento. O assunto gira em torno de Lady Catherine de Bourgh e sua filha Anne, que é muito adoentada (e tenho pra mim que era feiota também…), e por esses motivos não frequenta a Corte. Mas o nosso querido clérigo sempre tem uma palavrinha aqui e acolá para deixá-la(s) feliz(es)
— Seu estado de saúde infelizmente não permite que ela resida na cidade. Como eu disse a Lady Catherine certa vez , essas circunstâncias privaram a Corte inglesa do seu mais brilhante ornamento. Sua senhoria pareceu ter ficado muito contente com a ideia. E o senhor pode imaginar que me sinto feliz em oferecer de vez em quando esses pequenos cumprimentos delicados que as senhoras tanto apreciam. Mais de uma vez observei a Lady Catherine que sua graciosa filha parecia ter nascido para ser uma duquesa, e que essa honra, a mais alta que pode ser conferida, em vez de lhe dar importância, seria, ao contrário, adornada por ela. Esses são os pequenos tributos que agradam a sua senhoria, e que eu me considero obrigado a prestar.
— O senhor tem toda razão — disse o senhor Bennet. — E, felizmente para o senhor, possui o talento de lisonjear com delicadeza. Poderia lhe perguntar se essas agradáveis atenções procedem de um impulso momentâneo ou são o resultado de um cálculo prévio?
— Elas se originam principalmente do que ocorre no momento. Embora eu às vezes me divirta arranjando e polindo esses pequenos galanteios a ser empregados em certas ocasiões, procuro sempre lhes dar um ar tão espontâneo quanto possível.
| trad. Lúcio Cardoso |

“Her indifferent state of health unhappily prevents her being in town; and by that means, as I told Lady Catherine myself one day, has deprived the British court of its brightest ornament. Her ladyship seemed pleased with the idea, and you may imagine that I am happy on every occasion to offer those little delicate compliments which are always acceptable to ladies. I have more than once observed to Lady Catherine that her charming daughter seemed born to be a duchess, and that the most elevated rank, instead of giving her consequence, would be adorned by her. — These are the kind of little things which please her ladyship, and it is a sort of attention which I conceive myself peculiarly bound to pay.”
“You judge very properly,” said Mr. Bennet, “and it is happy for you that you possess the talent of flattering with delicacy. May I ask whether these pleasing attentions proceed from the impulse of the moment, or are the result of previous study?”
“They arise chiefly from what is passing at the time, and though I sometimes amuse myself with suggesting and arranging such little elegant compliments as may be adapted to ordinary occasions, I always wish to give them as unstudied an air as possible.”
Para ilustrar este post utilizo uma captura de tela da série da BBC (1995) com o ator David Bamber, fabuloso como Mr. Collins. Acredito que consegui captar o exato momento em que ele se permite uma dúvida: estariam os Bennets, pai e filha, fazendo pouco dele?

Comer e beber com Jane Austen
Saturday, September 19th, 2009 | Filmes, Livros | 4 Comments
Das comidas mencionadas nos livros de Jane Austen, de pronto lembro de Emma e um pernil de porco enviado para as Bates. Ah! e os mingauzinhos que o senhor Woodhouse vivia a recomendar! O Dr. Grant, da reitoria de Mansfield, era apreciador da mesa farta para o horror da sovina tia Norris e pela descrição, a senhora Jenning, de Razão sensibilidade, era também um bom garfo! Sem esquecer o esnobismo do general Tilney com suas louças e seu pomar de ananases da Abadia, e de Mary Musgrove, em Persuasão, apesar de “muito doentinha” não recusava uma janta!
Lembro também da preocupação da senhora Bennet em não ter um bom peixe para o jantar, mas confesso que prefiro pensar neste belo prato de batatas lambuzadas com manteiga e salsinhas no jantar para Mr. Collins, em Pride and Prejudice (2005).

Batatas que sempre chamei de batata inglesa!
As bebidas, além do chá, só me ocorre neste momento o moleque atrevido dos Lucas que diz para senhora Bennet, que se fosse rico como o senhor Darcy, beberia uma garrafa de vinho todos os dias! O assunto é grande e está me deixando com fome… vou ali assaltar a geladeira e prometo volto!
- Achei dois livros (na Amazon) que me deixaram curiosa: Jane Austen and Food de Maggie Lane e The Jane Austen Cookbook de Maggie Black e Deirdre Le Faye.

Mr. Collins e eu
Friday, September 18th, 2009 | Filmes, Livros | 10 Comments
Adoro Mr. Collins. Pronto, falei.
Quando tive outros blogs, em um deles resolvi colocar propaganda, não só do Google, mas também de outras empresas e uma dessas era americana. Todo o processo foi feito com simplicidade mas dentro da maior correção e clareza, e assim sendo a correspondência foi mais numerosa do que o usual. Quando recebi o primeiro mail assinava um J. Collins. Não preciso dizer em quem pensei imediatamente!
Respondi no meu melhor inglês: Dear Mr. Collins…
Na próximo mail, menos formal, assinou apenas J. Eu retribui e respondi a J. Mas nos seguintes não me contive e voltei a colocar “dear Mr. Collins”. E assim passou-se até nossa última missiva.
Tenho certeza que meu querido senhor J. Collins nunca entendeu tanta formalidade em negócios nos tempos de internet. Seria eu uma Lady de Bourgh dos trópicos? Poor dear…

David Bamber, impagável como Mr. Collins em Pride and Prejudice, 1995
Preciso sorrir, pelo menos!
Wednesday, August 12th, 2009 | Audio, Séries | 10 Comments
Meus problemas com a conexão parecem não ter fim. Preciso rir um pouco, ou sorrir pelo menos. Com vocês, meu querido Mr. Collins dançando… salteadinho? Saltitante? Saltando obstáculos? Vocês decidem. Sou completamente parcial quando se trata de meu clérigo preferido…
PS: Quando conseguir publicarei os posts pendentes.
PS2: E o sorriso de Mr. Darcy divertindo-se com a situação, hein? Impagável.
Muito barulho por tudo
Wednesday, July 8th, 2009 | Filmes, Livros, Teatro, Traduções | 8 Comments
Tentem imaginar Elizabeth Bennet e Beatrice, de Muito barulho por nada, conversando. Seria muito barulho por tudo!
As duas inteligentes, articuladas, com senso de humor e com oponentes, em alguns casos futuros amores, do mesmo calibre. Sim, é preciso que os interlocutores, mesmo os vilões e tolos como Mr. Collins, tenham níveis equivalentes para que possamos ter um bom texto, um bom diálogo. Está certo que Benedict está mais para Henry Crawford do que Mr. Darcy! Mas Henry, “my dear cad”, é um dos personagens mais inteligentes de Jane Austen.
Abaixo de cada imagem apenas uma amostra do que os rapazes disseram para ou sobre Elizabeth e Beatrice. E depois me digam, o que vocês fariam?

Sir William Lucas, Elizabeth e Mr. Darcy.
Detalhe de ilustração de C. E. Brock, do meu exemplar de Pride & Prejudice.
Mr. Darcy explica para Mr. Bingley por que não quer dançar com Elizabeth. E ela ouve…
She is tolerable; but not handsome enough to tempt me; and I am in no humour at present to give consequence to young ladies who are slighted by other men.
É tolerável, mas não tem beleza suficiente para tentar-me. Não estou disposto agora a dar atenção a moças que são desprezadas por outros homens.*
A senhorita Bingley relembra Darcy de suas antigas palavras sobre Elizabeth.
She a beauty! – I should as soon call her mother a wit.
Se ela é bonita, então a mãe é inteligente.*

Benedict e Beatrice.
Detalhe da ilustração de Sir John Gilbert, do meu The Globe Illustrated Shakespeare.
Benedict (ou Benedito) e Beatrice (ou Beatriz) se encontram. Ele resolve ser engraçadinho.
What, my dear Lady Disdain! are you yet living?
Ora, minha cara Lady Desdém! A senhorita ainda continua viva?
Ele tenta livrar-se dela.
O God, sir, here’s a dish I love not: I cannot endure my Lady Tongue**.
Ah, meu Deus! Milorde, aqui temos um prato que não me apetece. Não consigo tolerar a minha Senhorita Língua.
Orgulho e preconceito sei que vocês sabem de cor e Muito barulho por nada se quiserem rir muito, leiam o livro*** ou vejam o filme****. Não se fiem somente na minha opinião, perguntem a Elaine Dashwood.

* Orgulho e preconceito, as traduções de Lúcio Cardoso.
** Aqui, me perdoe a tradutora, mas sempre leio/penso, “minha Senhora Linguaruda”!
*** Muito barulho por nada, Shakespeare. As traduções das frases acima são de Beatriz Viégas-Faria, do meu exemplar da L&PM Pocket.
**** Much Ado About Nothing, direção e atuação de Kenneth Branagh, que interpreta Benedict e Emma Thompson, Beatrice. No IMDb.
Raquel e um dos rapazes de Jane Austen
Thursday, October 23rd, 2008 | Livros | 13 Comments
Queridas leitoras, olhem a foto abaixo e morram de inveja. Pois é, descobri ontem que sou má e não há boas leituras no mundo que possa reverter tal condição. Quem gosta do Mr. Darcy do início do livro, mau que nem pica-pau, ou prefere Henry Crawford a Edmund Bertram, não tem salvação! Descobri tudo isto e muito mais numa palestra encantadora de J. P. Coutinho*. Ocasião em que me comportei como o diabrete do Mr. Collins, não esperando pelo anfitrião do evento e logo me apresentando e mencionando o meu caro Bruno de Lisboa e na maior sem-cerimônia pedi um autógrafo no meu exemplar de Pride and Prejudice. Falei tantas coisas em menos de dois minutos que tenho certeza deixei-o tonto. Não lembro da metade do que falei mas certamente mencionei o blogue pois ao sair uma senhorita** perguntou se eu era a Raquel do Jane Austen em português.
Ao fim e ao cabo não sou tão má como me queria e compartilho com vocês o beijo que ganhei: “Para Raquel com um beijo cheio de orgulho e nenhum preconceito. JPCoutinho”
- * João Pereira Coutinho ministrará seis aulas entre os dias 23 e 31 de outubro em São Paulo, no Instituto Internacional de Ciências Sociais. Para saber os detalhes ligue para (11) 3251 5377 ou clique aqui: “A literatura da política”.
- ** entre em contato, viu, menina! não achei seu link!

