Mansfield Park
Escravidão no filme Mansfield Park – 1999
Thursday, February 18th, 2010 | Filmes, Livros | 12 Comments
O filme Mansfield Park de 1999 da diretora Patricia Rozema foi traduzido no Brasil com o título de Palácio das Ilusões. Esta versão desde o inicio dá enfase ao tema escravidão, muito diferente do livro. Nas primeiras cenas, Fanny Price a caminho de Mansfield Park pergunta ao cocheiro da carruagem “que navio era aquele na baia”. Ele responde que é um navio negreiro e diante da surpresa da menina começa um discurso com suas suposições:
Aye, slaves. Probably some captain or heroic ship doctor… brought home some darkies as gifts for the wife.
É, escravos. Provavelmente algum capitão ou heróico oficial-médico… que trouxe para casa algum(as) pretinhos(as) de presente para a esposa.

A próxima menção é quando Tom Bertram volta de Antigua, onde estava com o pai e as irmãs perguntam como foi por lá e onde estava o pai. Tom, bêbado como uma cabra, responde:
Antigua… All the lovely people there paying for this party.
Antigua… todas aquelas adoráveis criaturas pagando por este festim.
Tom refere-se aos escravos e a boa vida em Mansfield como veremos ao longo do filme.
Quando Sir Thomas volta para casa e já com os ânimos apaziguados sobre a representação teatral, Lady Bertram, em um dos serões, pede para o marido que fale sobre os negros. Onde tem início uma conversa baseada em teorias da época sobre negros e mestiços:
Lady Bertram: Do tell us more about the Negroes, dear.
Conte mais sobre os negros, querido.Sir Thomas: The mulattos are well-shaped, and the women especially well-featured. I have one, so easy and graceful in her movements and intelligent as well. Strangely, two mulattos can never have children. They’re like mules in that respect.
Os mulatos são bem proporcionados e as mulheres especialmente jeitosas. Eu tenho uma, muito dócil e graciosa em seus modos e também inteligente. Estranhamente, dois mulatos não podem ter filhos. Eles são, nesse aspecto, como as mulas.
Edmund Bertram: Excuse me, father, for contradicting you, but that is nonsense. You cannot say such things.
Desculpe-me, pai, por contradizê-lo, mas isso é um disparate. O senhor não pode dizer tal coisa.Sir Thomas: I did not say they are mules. I said they are like mules. Edward Long’s ‘History of Jamaica’. Read it before you challenge me. I’ve a good mind to bring one back with me to work here as a domestic.
Eu não disse que eles eram mulas. Eu disse que pareciam com mulas. História da Jamaica, de Edward Long. Leia-o antes de me contestar. Cheguei a pensar na possibilidade de trazer um deles comigo para trabalhar aqui como doméstico.
Fanny Price: Correct if I am in error, but if you were to bring a slave back to England, there would be some argument whether or not they should be freed. If I’m not mistaken…
Corrijam se cometo um erro, mas se o senhor trouxer um escravo para a Inglaterra, haveria alguns impedimentos, se ele deveria ou não ser libertado. Se não estou enganada…
Neste ponto Sir Bertram desconversa e diz para Fanny que ela está muito bonita. Mas ela insiste no assunto,
I’ve done some reading on it… Thomas Clarkson, under Edmund’s guidance.
Eu tenho lido sobre isso… Thomas Clarkson, sob a supervisão de Edmund.
Edmund a defende comparando-a a um homem em inteligência,
Fanny has a voracious mind, as hungry as any man’s. And her writing is remarkable, in a style entirely new.
Fanny tem uma mente voraz, faminta como a mente de qualquer homem. Seus escritos são notáveis e num estilo inteiramente novo.

O tio volta a elogiar a beleza da sobrinha e promete um baile para apresentá-la à sociedade. O assunto escravidão é encerrado definitivamente. Fanny sai para cavalgar na chuva para “clarear as ideias”. Quando Edmund diz que a atitude dela é uma tolice, afinal será apenas um baile ela responde enfurecida:
I’ll not be sold off like your father’s slave!
Eu não serei oferecida [vendida] como os escravos de seu pai!

Quando Tom Bertram volta para casa muito doente, Fanny que estava de castigo em Portsmouth volta para Mansfield para cuidar do primo. Uma noite, ao abrir a pasta de desenhos de Tom, fica horrorizada ao ver as cenas de violência e sexo contra os escravos tendo o tio como protagonista. Sir Thomas aparece e enfurecido manda-a embora queimando logo a seguir todos os desenhos.

A partir desse momento Fanny Price passa a exibir um olhar de superioridade.
E no final, Fanny como narradora, conta que Sir Thomas abandonou seus negócios em Antigua e passou para plantação de fumo. Não antes sem dar uma paradinha na narração como que dizendo, trocou seis por meia dúzia.
Assim como no post sobre a versão 2007, comento apenas o enfoque sobre a escravidão, não o filme como um todo.
O livro Mansfield Park fala discretamente sobre o assunto escravidão. O filme da diretora Patricia Rozema é sobre escravidão.
- Traduções das legendas mea culpa.
Uma noite divertida com a família Austen
Sunday, January 10th, 2010 | Jane Austen, Teatro | No Comments
Esta foi a proposta do diretor e roteirista Joan Bryans com a peça Theatrics at Mansfield Park [Teatralidade em Mansfield Park] que esteve em cartaz até o dia 9 de janeiro em Vancouver.
Na peça a senhora Austen e os filhos Jane, Cassandra, Edward e Francis entretém os convidados recitando, cantando e fazendo adivinhações e finalmente encenando Lovers Wow. O reverendo Austen, é claro, está viajando.
A dúvida fica por conta do que faríamos nos dias de hoje em uma noite sem atrativos mas com Ipods, Iphones, laptops e mil programas na TV. A pergunta é feita em Vancouver, Canadá, e tem obviamente toda a carga do clima com a neve nesta época do ano às vezes impossibilitando sair de casa para toda ou qualquer coisa.
Mas de qualquer forma, com todos os recursos atuais para divertimento e costumes bem diferentes da época de Jane, é maravilhoso ver uma de suas obras mais difícil de ser apreciada, ser representada.

Imagem: © Vancouver Courier
- Texto integral: Theatrics at Mansfield Park, Vancouver Courier, por Jo Ledingham
Mr. Yates, uma temporada em Mansfield
Wednesday, January 6th, 2010 | Filmes, Jane Austen | 17 Comments
Sim, eu confesso… sou mulher volúvel. Primeiro apaixonei-em por Henry Crawford, depois encantei-me por Tom Bertram e agora não posso viver sem Mr. Yates!
A verdade é que estou apaixonada por Mansfield Park 1983. Como vocês sabem minha coleção chegou na véspera de Natal e não tive tempo para assistir todos os filmes, fiz os teste e depois apanhei aleatóriamente Mansfield para o post sobre as legendas Closed Captioned. Resultado, estou assistindo todos os dias um bocadinho. É irresistível.
Fica aqui a promessa que o primeiro filme a ser resenhado será este.
Enquanto isso apreciem esta criatura. Notem o perfil, as roupas, o olhar e o penteadinho… gamei!


Robin Langford como Mr Yates em Mansfield Park 1983
Uma foto do ator, em 2008, em sua página no IMDb
Tom Bertram de Mansfield Park
Tuesday, December 29th, 2009 | Filmes, Livros, Traduções | 11 Comments
Estava pensando o que escreveria no Chá com Jane Austen sobre o último livro que lemos no grupo: Mansfield Park. Decidi escrever sobre um personagem, que parece secundário, mas é um dos motivos pelos quais a vida em Mansfield teve tantos reveses e não seguiu um curso normal de uma família inglesa daquela época: Tom Bertram. Há uma série de possibilidades se Tom tivesse sido um pouco menos extravagante, mas neste post não me alongarei muito sobre o assunto e, assim como Tom, encurtarei a conversa só mencionando quando me enamorei dele.
A primeira vez que li Mansfield apaixonei-me pelos Crawfords; e da família Bertram a única criatura que gostei foi Tom. Ele me conquistou definitivamente quando conseguiu se safar de um aborrecidíssimo jogo de cartas com tia Norris, tirando Fanny para dançar.
“I should be most happy,” replied he aloud, and jumping up with alacrity, “it would give me the greatest pleasure; but that I am this moment going to dance.” Come, Fanny, taking her hand, “do not be dawdling any longer, or the dance will be over.”
[...]
“A pretty modest request upon my word,” he indignantly exclaimed as they walked away. “To want to nail me to a card-table for the next two hours with herself and Dr. Grant, who are always quarrelling, and that poking old woman, who knows no more of whist than of algebra. I wish my good aunt would be a little less busy! And to ask me in such a way too! without ceremony, before them all, so as to leave me no possibility of refusing. That is what I dislike most particularly. It raises my spleen more than anything, to have the pretence of being asked, of being given a choice, and at the same time addressed in such a way as to oblige one to do the very thing, whatever it be! If I had not luckily thought of standing up with you I could not have got out of it. It is a great deal too bad. But when my aunt has got a fancy in her head, nothing can stop her.”
— Teria muito prazer, respondeu ele alto e pulando da cadeira todo animado, gostaria muitíssimo; mas é que neste momento vou dançar. Venha /fanny, disse puxando-a pela mão, não perca mais tempo senão a dança acaba.
[...]— Um pedido bastante modesto, palavra de honra! exclamou ele indignado, quando se afastavam. Pretender que eu fique preso numa mesa de jogo durante duas horas com ela e o Dr. Grant, que estão sempre brigando, e com aquela velha sorumbática, que entende tanto de cartas quanto de álgebra. Era melhor que minha boa tia não fosse tão solícita! E ainda por cima, me convidar de tal maneira! Sem a menor cerimônia, à vista de todos, para que eu não tivesse jeito de recusar. É o que mais detesto. Não há nada que me contrarie mais do que me convidarem por fingimento, e ao mesmo tempo ser abordado de tal maneira que não possa deixar de aceitar, seja lá para o que for! Se eu não tivesse tido a feliz idéia de ficar a seu aldo, não poderia podido escapar desta. É muita perversidade. Mas quando minha tia mete uma idéia na cabeça não há quem possa com ela. | cap. 12, trad. Rachel de Queiroz |


Imagens: capturas de telas, minhas e ilustração de meu exemplar de MP.
Terminei de me apaixonar por Mr. Bertram quando foi interpretado pelo ótimo ator James Purefoy em 1999. Mesmo não gostando muito da versão de 2007 também me agradou a atuação de James D’Arcy. Ainda não assisti completamente a versão de 1983 mas fiz a captura de tela de Christopher Villiers para termos os três Tom!
Não poderia me furtar de mostrar Tom na pena de C. E. Brock. Pelo visto C. E. Brock também gostou bastante dessa passagem e nos mostra o herdeiro de Mansfield Park no exato momento em que arrasta Fanny para dançar! A imagem completa fica para outra ocasião.
O Natal nos livros de Jane Austen
Friday, December 25th, 2009 | Filmes, Jane Austen, Livros | 17 Comments
Suspendi a publicação automática deste post que estava programado para as primeiras horas do dia 25 e só agora consegui entrar na internet. Motivo da suspensão: recebi inesperadamente meu presente de Natal na manhã do dia 24 quando já não tinha tempo para mais nada mas queria compartilhar o meu presente com vocês. Atrasadinha, pois o vinho ontem e hoje estava excelente, fotografei e troquei as imagens do post.

Na época de Jane Austen, quando as pessoas moravam relativamente longe e os transportes eram caros, as pessoas aproveitavam as datas festivas para se reunirem e ficar alguns dias nas casas de amigos e parentes. O Natal era uma dessas datas como podemos ler nos trechos abaixo dos seis livros da autora.
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O convite da senhora Palmer, em Razão e sentimento, é quase um pedido de favor para que as irmãs Dashwood passem o Natal com eles em Cleveland. Pelo que se pode ver quanto mais gente, melhor!
“Oh, my dear Miss Dashwood,” said Mrs. Palmer soon afterwards, “I have got such a favour to ask of you and your sister. Will you come and spend some time at Cleveland this Christmas? Now, pray do – and come while the Westons are with us. You cannot think how happy I shall be! It will be quite delightful!
— Minha cara Miss Dashwood, disse a senhora Palmer logo depois, tenho um grande favor a lhe pedir, bem como à sua irmã. Querem vir passar alguns dias em Cleveland, este ano, pelo natal? Apareçam enquanto os Weston estiverem lá. Não imaginam como ficarei contente. Será uma delícia. | cap. 20, trad. Dinah Silveira de Queiroz |
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Em Orgulho e preconceito vemos que as famílias costumavam passar o Natal juntos e distribuir presentes.
On the following Monday, Mrs. Bennet had the pleasure of receiving her brother and his wife, who came as usual to spend the Christmas at Longbourn. [...] The first part of Mrs. Gardiner’s business on her arrival, was to distribute her presents and describe the newest fashions. When this was done, she had a less active part to play.
Na segunda-feira seguinte, a senhora Bennet teve o prazer de receber seu irmão e sua cunhada, que iam, como de costume, passar o Natal em Longbourne. [...] Os primeiros momentos da chegada da senhora Gardiner consistiram na distribuição dos presentes que trazia e na descrição da moda mais recente. Feito isso, o seu papel se tornou menos ativo. | cap. 25, trad. Lúcio Cardoso |
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Uma das alegrias de Fanny Price, recém chegada a casa dos tios, foi a visita do irmão William, convidado a passar a semana de Natal em Mansfield Park antes de ingressar na Marinha.
Luckily the visit happened in the Christmas holidays, when she could directly look for comfort to her cousin Edmund; and he told her such charming things of what William was to do, and be hereafter, in consequence of his profession, as made her gradually admit that the separation might have some use.
Felizmente isso se deu justamente nas férias de Natal, de forma que Fanny pôde encontrar consolo junto ao primo Edmund; e ele lhe falou com tanta simpatia de William, das coisas formidáveis que ele viria a fazer em razão da profissão que abraçara, que finalmente ela se convenceu de que a separação só poderia lhe ser útil. | cap. 2, trad. Rachel de Queiroz |
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O senhor Knightley conversa com a senhora Weston sobre as qualidades e defeitos de Emma e promete melhorar seu humor quando chegar o Natal com a família toda reunida.
“Very well; I will not plague you any more. Emma shall be an angel, and I will keep my spleen to myself till Christmas brings John and Isabella. John loves Emma with a reasonable and therefore not a blind affection, and Isabella always thinks as he does; except when he is not quite frightened enough about the children. I am sure of having their opinions with me.”
Pois bem, não vou importuná-la por mais tempo. Emma continuará a ser um anjo e eu guardarei meu mau-humor para mim mesmo até John e Isabella virem para o Natal. John adora Emma, tem por ela uma racional, portanto nada cega, afeição, e Isabella sempre pensa como ele, exceto quando ele não está tão preocupado quanto ela com as crianças. | cap. 5, trad. Ivo Barroso |
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Ah! o Natal em família… Quem não tem uma Mary Musgrove para reclamar de alguma coisa? Ainda escreverei um pequeno tratado psicológico da pobre Mary.
“My dear Anne, – I make no apology for my silence, because I know how little people think of letters in such a place as Bath. You must be a great deal too happy to care for Uppercross, which, as you well know, affords little to write about. We have had a very dull Christmas; Mr. and Mrs. Musgrove have not had one dinner party all the holidays. I do not reckon the Hayters as anybody.
Minha querida Anne:
Não peço desculpas por meu silêncio, pois sei como as pessoas tem pouco tempo para pensar em cartas num lugar como Bath. Deve estar feliz demais para se importar com Uppercross que, como sabe, tem pouco o que se escrever. Tivemos um Natal muito triste; o Sr. e a Sra. Musgrove não deram um único jantar durante todos os feriados. Não conto os Hayters como alguém. | cap. 18, trad. Luiza Lobo |
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O Natal era também uma ótima ocasião para namorar, com tantos convidados, sempre havia alguém de fora, como James Morland na casa dos Thorpes!
“You are so like your dear brother,” continued Isabella, “that I quite doated on you the first moment I saw you. But so it always is with me; the first moment settles every thing. The very first day that Morland came to us last Christmas — the very first moment I beheld him — my heart was irrecoverably gone.
— Você é tão semelhante ao seu querido irmão, Catherine — continuava Isabella —, que eu me apaixonei por você desde o primeiro momento. Para mim é sempre assim, o primeiro momento decide tudo. No dia que Morland foi à nossa casa, no último Natal, no instante que o vi, meu coração era seu, irrevogavelmente. | cap. 15, trad. Lêdo Ivo |
O verão nos livros de Jane Austen
Monday, December 21st, 2009 | Jane Austen, Livros, Traduções | 5 Comments
Estes últimos verões em São Paulo tem sido escaldantes e tenho sonhado com um verão no Hampshire! Enquanto isso me contento com uvas fresquinhas que me fazem lembrar a velha parreira da casa da vovó-dinda.
Com vocês, um trecho de cada um dos seis livro de Jane Austen sobre o Verão!

© Foto minha. Estavam saborosas!
Razão e sentimento
Marianne se restabelece de sua doença e faz planos de felicidade para o verão:
I know we shall be happy. I know the summer will pass happily away.
Sei que vamos ser muito felizes. Sei também que o verão passa depressa.
| trad. Ivo Barroso |
Orgulho e preconceito
A senhorita Bingley e a irmã, senhora Hurst, fazem pouco de Elizabeth comentando a pele dela está escurecida e grosseira. O senhor Darcy não vê nada de mais no fato…
However little Mr. Darcy might have liked such an address, he contented himself with coolly replying that he perceived no other alteration than her being rather tanned — no miraculous consequence of travelling in the summer.
Por mais que essas palavras desagradassem ao senhor Darcy, ele se limitou a responder friamenteque não percebera nela nenhuma alteração, a não ser que estava um pouco queimada, fato que nada tinha de milagroso, quando uma pessoa viajava no verão.
| trad. Lúcio Cardoso |
Mansfield Park
Uma jovem mulher no verão, mais precisamente Mary Crawford, é o suficiente para deixar Edmund completamente apaixonado.
A young woman, pretty, lively, with a harp as elegant as herself, and both placed near a window, cut down to the ground, and opening on a little lawn, surrounded by shrubs in the rich foliage of summer*, was enough to catch any man’s heart. The season, the scene, the air, were all favourable to tenderness and sentiment.
Uma linda e graciosa jovem, com uma harpa tão elegante quanto ela própria, ambas colocadas em frente a uma janela abrindo para um pequeno pátio cercado de arbustos de ricas folhagens*, era suficiente para prender o coração de qualquer homem. A estação, o cenário, o ar, tudo era favorável à ternura e ao sentimento.
| trad. Rachel de Queiróz |* não foi traduzido a palavra verão e nesse caso não se sabe a estação a que se refere a frase seguinte.
Emma
Para o senhor Woodhouse visitas só no verão, e mesmo assim no próximo verão!
I think it would be much better if they would come in one afternoon next summer, and take their tea with us – take us in their afternoon walk; which they might do, as our hours are so reasonable, and yet get home without being out in the damp of the evening.
Acho que teria sido muito melhor se eles viessem uma tarde destas no próximo verão tomar chá conosco; podiam vir em sua caminhada da tarde, que deviam fazer, já que nossos horários são bastante razoáveis, e voltar para casa sem sofrer a umidade da noite.
| trad. Ivo Barroso |
A abadia de Northanger
Henry e Catherine tiveram que esperar até o casamento de Eleanor, que aconteceu em um verão, fato abrandou o mau gênio do General.
The circumstance which chiefly availed was the marriage of his daughter with a man of fortune and consequence, which took place in the course of the summer — an accession of dignity that threw him into a fit of good-humour, from which he did not recover till after Eleanor had obtained his forgiveness of Henry, and his permission for him “to be a fool if he liked it!”
A circunstância da qual principalmente se beneficiou foi o casamento de sua filha com um homem de fortuna e respeitável, que ocorreu durante o verão – uma adesão de dignidade que o colocou em um estado de bom humor, do qual ele não recuperou até depois que Eleanor obteve o perdão para Henry, e sua permissão para ele “ser tolo se assim ele se agradasse!”
| trad. mea culpa* |* a tradução desse parágrafo por Lêdo Ivo ficou mesclada com outros parágrafos então achei por bem colocar a minha que seria mais curta.
Persuasão
Para Anne e Frederic tudo iniciou no verão de 1806!
He was not Mr. Wentworth, the former curate of Monkford, however suspicious appearances may be, but a Captain Frederick Wentworth, his brother, who being made commander in consequence of the action off St Domingo, and not immediately employed, had come into Somersetshire, in the summer of 1806; and having no parent living, found a home for half a year at Monkford.
Ele não se tratava do Sr. Wentworth, antigo cura de Monkford, por mais suspeitas que fossem as aparências, mas de um certo Capitão Frederic Wentworth, seu irmão, que, tendo sido promovido a comandante em consequência de uma batalha em São Domingo, e sem ocupação logo em seguida, viera a Somersetshire no verão de 1806; e, não tendo pais vivos, conseguira uma casa por meio ano, em Monkford.
| trad. Luiza Lobo |
Jane Austen na BBC Radio
Monday, December 14th, 2009 | Audio, Jane Austen, Livros, Teatro | 4 Comments
Alguém aqui lembra das novelas de rádio? Pois a BBC continua dramatizando os clássicos para o rádio. Como não podia deixar de ser Jane Austen se faz presente. No site da Audible onde estão à venda há muito mais, inclusive os audiobooks da Naxos.
Clique nas imagens e acesse a página onde é possível ouvir um bom pedaço de cada obra gratuitamente. O Mansfield Park além da linda capa (adoro portões de ferro antigos) tem no elenco de leitores Amanda Root, a Anne Elliot de Persuasion 1995!
Coleção DVD Jane Austen
Wednesday, December 9th, 2009 | Filmes, Jane Austen, Séries | No Comments
Esta coleção de filme e séries é do site Play.Com, portanto os DVDs são da região 2, Europa. Coloco aqui apenas como curiosidade pela capa cor-de-rosa de doer!

- Pride And Prejudice 1995
- Sense and Sensibility 1981
- Mansfield Park 1983
- Northanger Abbey 1986
- Emma 1972
- Persuasion 1995
Um guarda-chuva para Fanny Price
Tuesday, December 8th, 2009 | Jane Austen, Livros, Traduções | 4 Comments
Vocês bem sabem que tia Norris não tem piedade, pode chover canivete que ela sempre achará algo para Fanny fazer e sem um mísero guarda-chuva para não dar despesas para o querido Sir Bertram.
Tendo Fanny ido à vila numa incumbência qualquer da tia Norris, foi surpreendida, perto do Presbitério, por uma pesada carga d’água; e tendo sido vista por uma das janelas tentando encontrar abrigo em baixo dos ramos de um carvalho logo adiante daquele local, foi forçada a entrar, embora, por modéstia, tivesse relutado um pouco.
| Mansfield Park, trad. Rachel de Queiroz
Fanny, having been sent into the village on some errand by her aunt Norris, was overtaken by a heavy shower close to the Parsonage; and being descried from one of the windows endeavouring to find shelter under the branches and lingering leaves of an oak just beyond their premises, was forced, though not without some modest reluctance on her part, to come in.
E aqui temos os pequenos poderes de tia Norris. Como ela não tem poder de fato se satisfaz em subjugar Fanny com todo ou qualquer mandalete que sua “alminha seca” (by Denise) consegue imaginar. Há pessoas que nunca conseguem se desvencilhar dessa mesquinharia, mesmo quando adquirem, por mérito ou por acaso, poder real e constituído.

A querida tia Norris teria adorado São Paulo no verão com todas estas chuvas! Esta semana, Leticia ofereceu-me seu guarda-chuva "Fanny Price"
Northanger e Mansfield à venda
Monday, November 16th, 2009 | Livros, Traduções | 6 Comments
Calma, não são as residências, mas os livros!
Uma edição de Mansfield Park de 1958, tradução de Rachel de Queiróz por 45 reais e uma Abadia de Northanger de 1982, tradução de Lêdo Ivo por 25 reais. Essas edições ficam por pouco tempo na Estante, então corram! (estou fazendo este post às 22:10)






