Jane Fairfax
Jane Austen em Roma
Monday, February 8th, 2010 | Filmes, Jane Austen | 16 Comments
Cansada, resolvi dar uma paradinha nas configurações da Biblioteca Jane Austen e assistir pelo menos um episódio de Rome que adoro. E vejam só quem encontrei!
Agora me expliquem como o Capitão Wentworth acabou namorando a sonsa da Lady Bertram?
Jane Fairfax não me surpreendeu, afinal sempre teve uma queda por herdeiros e bad boys e Tom Bertram está na medida.
Mr. Collins e Mr. Elliot nunca vi dupla mais afinada!

Lindsay Duncan (Servilia) e Ciaran Hinds (Cesar)
James Purefoy (Marco Antonio) e Polly Walker (Atia)
David Bamber (Cícero) e Tobias Menzies (Brutus)
UPDATE: A Nique nos lembra de mais dois atores: Guy Henry, Cassius (Mr. Collins em Lost in Austen) e Simon Woods, Otávio na fase adulta (Mr. Bingley, 2005). Este último está irreconhecível em Roma… virou um sacripanta, isso sim!
Um vestido, duas personalidades
Friday, January 29th, 2010 | Filmes, Jane Austen | 6 Comments
Há muitos sites que se dedicam aos detalhes de filmagem das séries e filmes de época, mas não resisti a este vestido roxo, ou assim me parece na tela do computador. Foi usado por Ania Marson em Emma 1972 e oito anos mais tarde por Elizabeth Garvie em Pride and Prejudice, ambas séries da BBC.


Imagem © captura de tela minha
Jane Fairfax e Elizabeth Bennet usando o mesmo modelo. Seria possível? Teriam gostos similares?
Que todos gostam de Lizzy, ninguém discute, mas tenho admiração por Miss Fairfax. Morar com Miss Bates – e aqui é quando concordo com Emma, ninguém merece! E finalmente, suportar os conselhos da senhora Elton e se casar com o infantil Frank Churchill, é preciso paciência. E muita!
Me ocorreu que Jane poderia ser amiga de Charllote Collins, née Lucas. O que vocês acham?
Onde comprar luvas em Highbury
Thursday, January 21st, 2010 | Jane Austen, Livros, Traduções | 3 Comments
Semana passada eu e uma amiga procuramos luvas de renda e não achamos nada que nos agradasse, foi quando lembrei onde podíamos comprá-las, mesmo tendo que ajustá-las: na loja da senhora Ford, em Highbury!

Luvas antigas de crochê e frasqueira de outra amiga!
E sob as melhores recomendações de Miss Bates…
“How do you do, Mrs. Ford? I beg your pardon. I did not see you before. I hear you have a charming collection of new ribbons from town. Jane came back delighted yesterday. Thank ye, the gloves do very well–only a little too large about the wrist; but Jane is taking them in.”
Como está passando, sra. Ford? Peço-lhe desculpas; não a tinha visto antes. Soube que a senhora está com uma bela coleção de fitas vindas de Londres. Jane veio ontem encantada quando as viu. Muito obrigada, as luvas ficaram muito bem… só um pouquinho largas na altura do punho, mas Jane está ajustando-as.
|Emma, cap. 27, trad. Ivo Barroso |
Jane Austen e a escravidão em Emma
Wednesday, September 16th, 2009 | Livros, Traduções | No Comments
Continuo… Pagando minhas dívidas!
Primeiro Emma. No capítulo 35, a senhora Elton insiste em arrumar um trabalho para Jane Fairfax e esta defende-se como pode da incivilidade da outra,
[...] “When I am quite determined as to the time, I am not at all afraid of being long unemployed. There are places in town, offices, where inquiry would soon produce something–Offices for the sale–not quite of human flesh–but of human intellect.”
“Oh! my dear, human flesh! You quite shock me; if you mean a fling at the slave-trade, I assure you Mr. Suckling was always rather a friend to the abolition.”
“I did not mean, I was not thinking of the slave-trade,” replied Jane; “governess-trade, I assure you, was all that I had in view; widely different certainly as to the guilt of those who carry it on; but as to the greater misery of the victims, I do not know where it lies. [...]“
— [...] Quando estiver segura quanto à época, estou certa de não ficar muito tempo sem emprego. Há escritórios em Londres que se incumbem desse tipo de atividade – escritórios que transacionam, não propriamente com a carne humana, mas com o intelecto.
— Oh! minha querida, a carne humana! Você chegou a chocar-me! Se pretendeu fazer uma invectiva contra o mercado de escravos, asseguro-lhe que o senhor “Neném” sempre foi um tanto amigo da abolição.
— Não pretendi… não estava pensando no comércio de escravos — replicou Jane. — O comércio de governantas, asseguro-lhe, era tudo que eu tinha em vista; mas quanto à miséria das vítimas, não sei em qual dos dois é maior. [...] | Tradução: Ivo Barroso
Como é possível notar, ao longo das obras de Jane Austen, e me refiro aos seis livros completos, a autora não entra ou se aprofunda em questões polêmicas fora do círculo de meia dúzia de famílias. Mas certamente fez muitas referências sutis que os leitores da época entendiam perfeitamente, e nós, hoje, apenas fazemos conjecturas ou nem percebemos.
Neste trecho de Emma vemos que o “comércio”* de escravos era considerado algo chocante entre as pessoas da sociedade de Highbury. Tanto o era que a senhora Elton fica na defensiva, quando Jane Fairfax fala em comércio de carne humana. E neste momento temos quase certeza que, se senhor Neném não trabalhava mais com escravos, o fez algum dia. Imagino que os abolicionistas usassem o termo human flesh quando se referiam ao assunto.
A senhorita Fairfax afirma que falava apenas de governantas, e na minha opiniã, exagerou um bocadinho quando disse que o sofrimento das vítimas era equivalente. Aqui vejo Jane Austen aproveitando um assunto, e com a maior a sutileza, falando de dois: escravidão e prostituição. Mas o segundo assunto requer um outro post… lá vou eu prometer… de novo!
A parte de Mansfield Park dividirei em dois ou três posts, pois o assunto é longo e quero falar também do filme de Patricia Rozema. Esta versão de 1999 dá grande enfase na questão da escravidão.
* sei que a tradução para “slave trade” é tráfico de escravos, mas acredito que usando a palavra “comércio” deixe a coisa mais abominável. Ah, e sem esquecer que na época era um comércio legal.
** Senhor Neném, aka Mr. Suckling – que tradução inspirada!

Olaudah Equiano (veja post Os abolicionistas ingleses)
