capitão Wentworth
Jane Austen em Roma
Monday, February 8th, 2010 | Filmes, Jane Austen | 16 Comments
Cansada, resolvi dar uma paradinha nas configurações da Biblioteca Jane Austen e assistir pelo menos um episódio de Rome que adoro. E vejam só quem encontrei!
Agora me expliquem como o Capitão Wentworth acabou namorando a sonsa da Lady Bertram?
Jane Fairfax não me surpreendeu, afinal sempre teve uma queda por herdeiros e bad boys e Tom Bertram está na medida.
Mr. Collins e Mr. Elliot nunca vi dupla mais afinada!

Lindsay Duncan (Servilia) e Ciaran Hinds (Cesar)
James Purefoy (Marco Antonio) e Polly Walker (Atia)
David Bamber (Cícero) e Tobias Menzies (Brutus)
UPDATE: A Nique nos lembra de mais dois atores: Guy Henry, Cassius (Mr. Collins em Lost in Austen) e Simon Woods, Otávio na fase adulta (Mr. Bingley, 2005). Este último está irreconhecível em Roma… virou um sacripanta, isso sim!
Nem todas as cartas são de amor
Tuesday, July 14th, 2009 | Livros, Traduções | 15 Comments
Todas nós lembramos da linda carta de amor do capitão Wentworth. Mas nem todas cartas são de amor, mesmo vindo de nossos amados(as). Ontem, lendo os feeds, encontro esta maravilha de carta no Chá com Hortelã e lembrei-me imediatamente da cartinha de Willoughby para Marianne.
“Bond Street, January.
My Dear Madam,
I have just had the honour of receiving your letter, for which I beg to return my sincere acknowledgments. I am much concerned to find there was anything in my behaviour last night that did not meet your approbation; and though I am quite at a loss to discover in what point I could be so unfortunate as to offend you, I entreat your forgiveness of what I can assure you to have been perfectly unintentional. I shall never reflect on my former acquaintance with your family in Devonshire without the most grateful pleasure, and flatter myself it will not be broken by any mistake or misapprehension of my actions. My esteem for your whole family is very sincere; but if I have been so unfortunate as to give rise to a belief of more than I felt, or meant to express, I shall reproach myself for not having been more guarded in my professions of that esteem. That I should ever have meant more you will allow to be impossible, when you understand that my affections have been long engaged elsewhere, and it will not be many weeks, I believe, before this engagement is fulfilled. It is with great regret that I obey your commands in returning the letters with which I have been honoured from you, and the lock of hair, which you so obligingly bestowed on me.
I am, dear Madam,
Your most obedient
humble servant,
John Willoughby”

Bond Street, janeiro.
Prezada Senhora,
Acabo de ter a honra de receber a sua carta, pela qual peço aceitar meus sinceros agradecimentos. Estou muito preocupado por saber que houve algo em meu comportamento da noite anterior que não mereceu a sua aprovação; e se bem não consiga atinar em que ponto a minha atitude a houvesse ofendido, venho pedir-lhe perdão para o que lhe posso assegurar não terá passado de um gesto inintencional. Não consigo lembrar-me do excelente convívio que ive com sua família em Devonshire ultimamente sem que o faça com o maior prazer, e muito aspiro não venha sofrer qualquer desgaste por algum equívoco ou mal-entendido decorrente de meus atos. Minha consideração por toda a sua família é deveras sincera; mas, se tive a infelicidade de dar ensejo a que acreditasse em algo além do que eu realmente sentia, ou quisesse expressar, devo reprovar-me por não ter sido mais moderado na manifestação dessa estima. Quanto a supor que eu quisesse significar algo mais, há de convir que me era impossível, quando souber que o meu afeto desde há muito se achava comprometido, sendo que dentro de algumas semanas tal compromisso será definitivamente selado. É com grande pesar que obedeço à sua ordem de lhe devolver suas cartas, com as quais fui profundamente distinguido, e o anel de cabelos, com que tão gentilmente me havia obsequiado.
De V. S,
o mais obediente e humilde servidor,
John Willoughby”
Marianne, depois de tal missiva, afirma,
“No, no,” cried Marianne, “misery such as mine has no pride. I care not who knows that I am wretched. The triumph of seeing me so may be open to all the world. Elinor, Elinor, they who suffer little may be proud and independent as they like–may resist insult, or return mortification–but I cannot. I must feel–I must be wretched–and they are welcome to enjoy the consciousness of it that can.”

— Não, não — exclamou Marianne. — Um desgosto como o meu não tem orgulho. Não me importa que saibam do meu infortúnio. O triunfo de me verem vencida será patente aos olhos do mundo. Elino, Elinor, os que p-ouco sofrem podem ser orgulhosos e independentes como quiserem… podem resistir aos insultos e esquecer o desespero… mas eu não. Tenho de sentir… que ser infeliz… e eles estão livres para ver que assumo o meu papel.
E nós o que faríamos? Ainda inspirada por Liliana, a Poderosa Afrodite, fica aqui uma receita!
- Razão e sentimento, capítulo 29, trad. Ivo Barroso.
Trabalhos com a fonte Jane Austen
Sunday, May 17th, 2009 | Livros, Traduções | 17 Comments
Acredito que muita gente conheça a linda fonte Jane Austen de Pias Frauss que é muito usada na internet – já escrevi sobre ela quando traduzi o texto de introdução da fonte. O que muita gente não sabe, às vezes, é que podemos usá-la comercialmente mas para isso é preciso comprar a licença.
Pois bem, comprei a licença (veja que linda !) e estou muito feliz pois agora poderei usá-las em algumas peças onde a fonte cai como uma luva, e o primeiro trabalho é um caderno em homenagem ao Capitão Wentworth! Sim, o capitão e sua linda carta “You pierce my soul.”! Fiz o caderno em inglês e em português*. Tenho outras peças que aos poucos colocarei aqui.
* Publicarei em outro post minha tradução da carta.

A foto foi inspirada naquele mar azul lindíssimo das cenas de abertura de Persuasão (1995).
Mais fotos no Restaure e no Elo7.
Jane Austen e a família em Persuasão
Thursday, April 30th, 2009 | Biografia, Filmes, Livros, Traduções | 10 Comments
A leitura de Persuasão para o Chá me fez perceber o quanto Jane Austen neste último livro soube ser dura com a família, e me refiro aqui à família como teia de relacionamentos dos quais não podemos nos desvencilhar facilmente. As críticas sobre as crianças, que Jane sabidamente não apreciava, serão tema de outro post mais adiante e com mais vagar.
Detenho-me então no caso do marinheiro Richard, filhos dos Musgroves, que serviu por seis meses na fragata Laconia sob as ordens do capitão Wentworth. Há quem diga que Jane provavelmente revisaria o livro e amenizaria tal passagem. Coincidentemente terminei de ler a biografia de Jane de John Halperin e ele afirma o contrário. Vamos a passagem,
[...] the Musgroves had had the ill fortune of a very troublesome, hopeless son; and the good fortune to lose him before he reached twentieh year; that he had been sent to sea because he was stupid and unmanageable on shore; that he had been very little cared for at any time by his family, though quite as much as he deserved; seldom heard of, and scarcely at all regretted, when the intelligence of his death abroad had worked its way to Uppercross, two years before.
He had, in fact, though his siters were now doing all they could for him, by calling him “poor Richard”, been nothing better than a thick-headed, unfeeling, unprofitable Dick Musgrove, who had ne ver done anything to entitle himself to more than the abbrevation of his name, living or dead.
Persuasion, Chapter VI
Os Musgroves — estas as verdadeiras circunstâncias do patético episódio familiar — tiveram a triste sina de ter um filho incorrigível, e a sorte de perdê-lo antes de chegar vinte anos. Mandaram-no para o mar, pois era parvo e indisciplinado em terra. A família pouco se interessara por ele, embora fosse o que realmente merecia. Raramente se ouvia falar dele e pouco lamentaram quando dois anos antes, chegara a Uppercross a notícia de sua morte no exterior.
Embora suas irmãs se esforçassem ao máximo chamando-o agora de “pobre Richard”, não passava de um cabeça-dura, insensível e inútil Dick Musgrove, que, vivo ou morto, nada fizera por merecer mais que a abreviatura de seu nome.
Persuasão, capítulo 6 – tradução de Luiza Lobo
Tenho várias impressões sobre essa passagem e que requerem mais tempo (e leitura!) para escrever algo coerente. Diferente de John Halperin que a considera “gratuitously harsh, shockingly cruel and malicious” (gratuitamente dura, chocantemente cruel e maliciosa) e mais algumas coisas nada lisonjeiras para Jane, eu a acho maravilhosa e verdadeira. Quais seriam as referências de Jane para este caso, alguém muito próximo? E digam-me, quem de nós não tem na família ou conhece um “pobre Dick Musgrove”?
Gosto muito desta cena familiar do filme Persuasion (1995). Charles e Mary falam da possibilidade do capitão Wentworth casar-se com uma das irmãs Musgroves. Charles (Simon Russell Beale) e suas necessidades imediatas; Mary (Sophie Thompson) e seu habitual mau-humor e Anne (Amanda Root) silenciosa, como sempre, para não ter que dizer algumas verdades!
O concerto de Persuasão
Sunday, January 11th, 2009 | Audio, Filmes, Livros, Música | 13 Comments
No capítulo 20 de Persuasão temos um encontro de Anne Elliot com o capitão Wentworth permeado por um concerto e galanteios de Mr. Elliot. Jane Austen não dá o nome da obra executada, menciona apenas uma canção italiana:
Towards the close of it, in the interval succeeding an Italian song, she explained the words of the song to Mr. Elliot. They had a concert bill between them.
Quando este chegava ao fim, no intervalo [do concerto] que sucedeu a uma canção italiana, explicou ao senhor Elliot o significado de sua letra, que estava escrita no programa. (trad. Luiza Lobo)
Na versão para o cinema de 1995 com Ciáran Hinds e Amada Root, a soprano Rosa Mannion canta uma composição (em italiano) de Jeremy Sams feita especialmente para o filme. Veja no YouTube aqui.
Na versão 2007, com Sally Hawkins e Rupert Penry-Jones, não há o diálogo sobre as habilidades de Anne em italiano e o concerto apresentado é a “Sinfonia 25 em G Menor” de Mozart. Mais adequada para a Anne Elliot “maratonista”, não é mesmo?! Que fique claro, eu adoro Mozart. Veja no YouTube aqui.
Ao não citar a canção exata Jane Austen nos permite “ouvir” o que mais nos delicia. Eu me apaixonei por esta ária de Vivaldi (“vedrò com mio diletto”, Giustino) cantada pelo contra-tenor francês Philippe Jaroussky. Mesmo uma insensível musical, como eu, se comove com tal música e interpretação. O link do vídeo aqui.
- Uma entrevista (em português) com Philippe Jaroussky, de Rodolfo Valverde.
ATENÇÃO: Não deixem de ler nos comentários a tradução da ária por Denise Bottmann. Muito obrigada Denise!

