Venezianas verdes

As a house, Barton Cottage, though small, was comfortable and compact; but as a cottage it was defective, for the building was regular, the roof was tiled, the window shutters were not painted green, nor were the walls covered with honeysuckle. Sense and Sensibility, chapter VI

Como moradia, o Barton Cottage, embora pequeno, era confortável e sólido; mas como casa de campo estava incompleta, pois a construção era comum, coberta de telhas, as janelas não estavam pintadas de verde nem as paredes cobertas por madressilvas. Razão e sentimento, capítulo 6

Quando li essa passagem lembrei imediatamente das janelas com venezianas verdes da cidade onde morava. A foto abaixo mostra o tipo de janela a que me refiro. Na casa da vovó-dinda elas foram pintadas de gelo e o único verde próximo de minha lembrança que disponho é deste relicário.

Muitos já falaram mais e melhor sobre sobre venezianas verde.

O quarto está escuro mas vejo Rosa Ambrósio como se as venezianas estivessem abertas, são persianas. Essas tiras metálicas que se enrolam e desenrolam diferentes das venezianas verdes da minha vida de menino lá no casarão das três mulheres. Em As horas nuas, Lygia Fagundes Telles

Quando se vingava o morro, dava-se com a linda residência toda pintada de marrom, cantos branco-marfim, como a guarnição da janelas de venezianas verdes e guilhotinas brancas. Em Chão de ferro, Pedro Nava.

À distância, viam-se as janelas de uma parte da casa, onde às vezes eram recolhidos os estudantes enfermos, fechadas sempre a venezianas verdes. Em O Ateneu, Raul Pompéia.

E para completar, querido Mário Quintana em A Rua dos Cataventos

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!… E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons… acerta… desacerta…
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas…

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço…
Pra que pensar? Também sou da paisagem…

Vago, solúvel no ar, fico sonhando…
E me transmuto… iriso-me… estremeço…
Nos leves dedos que me vão pintando!

  • Que coincidência! o meu exemplar de Razão e sentimento, tradução de Ivo Barroso, tem apresentação de Lygia Fagundes Telles
  • Trechos dos livros do Google Books
  • Sobre as madressilvas, que também fizeram parte da minha infância junto às “perigosas papoulas“, haverá outro post. Aguardem.

10 Comments

  1. Lygia Fagundes Telles é ma-ra-vi-lho-sa. Minha escritora brasileira preferida. Eu tenho um pocket book da L&PM com alguns contos dela e o livro já está meio capenga de tanto que leio e releio. “Antes do baile verde”, “A caçada”, “Pomba enamorada”, “Herbarium”, “As formigas”… são tantos os contos que adoro que é até difícil enumerá-los.

  2. Elaine,
    de Lygia, lembro de ter lido As meninas, não sei se li mais alguma coisa, acho que não.

  3. Quando eu era criança, as janelas de casa eram venezianas. E verdes. Mas não era um verde-claro, não; era verde-verde-meeeesmo!

    Se fossem assim, clarinhas como as suas, eu não teria ficado com trauma e feito tudo branco aqui em casa.

  4. Leticia,
    eu achava esse verde uma coisa medonha! Hoje são apenas boas lembranças e passei a gostar do tom.

  5. Não tem nada a ver com o post, mas encontrei um texto sobre Jane Austen e zumbis! E tive que vir aqui lhe contar: http://www.lendo.org/orgulho-preconceito-e-zumbis/

  6. Poetriz,
    eu já ouvi falar nestes zumbis, mas ainda não me detive no assunto… acho que estou com medo… Vou dar uma olhada no teu link, obrigada!

  7. Que foto linda, Raquel.
    Beijos

  8. Linda foto, adorei as três meninas abraçadas, o seu vestido e o relicário!

  9. Marie
    obrigada!

  10. Tata
    vestido e relicário, confecção própria!

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